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terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Marsala - a pérola da Sicília

Um dos vinhos indispensáveis na culinária italiana é o Marsala. Produzido na região da Sicília, usa o nome da sua cidade de origem. O néctar foi oficialmente inventado pelo inglês John Woodhouse em 1773, apesar dos romanos já fazerem algo semelhante, e hoje tem uma denominação de origem controlada (DOC).
Estamos perante um vinho fortificado que já era bastante famoso entre os romanos nobres, mas só na influencia dos ingleses começou a ser explorado. O vinho era envelhecido em madeira, muito semelhante ao vinho do Porto, e inicialmente resultava de uma mistura entre vinhos novos e velhos. Após o desenvolvimento e a melhoria da produção tornou-se um vinho de alta qualidade.

O que é afinal o Marsala?

Como é comum nos vinhos fortificados, na fermentação sofre uma adição de aguardente vínica e é vendido com no mínimo 18% de álcool. Habitualmente é produzido pelas castas: Grillo, Catarrati, Pignatello, Garganela, Calabrese, Damaschino, Nerello e Inzolia. Bastante variável, podemos encontrar Marsala em diferentes tonalidades: Oro (ouro), Ambra (Âmber) e Rubino (Rubi). A doçura também varia desde o seco (<40g/l), semi seco e doce (>100gr/l). No caso dos vinhos mais doces, muitas vezes sofre uma adição de concentrado de uva. Por fim, este vinho também é classificado conforme o seu envelhecimento:

  • Fine (Fina) – Envelhecimento inferior a um ano.
  • Superiore – Envelhecimento de pelo menos dois anos.
  • Superiore Riserva – Envelhecimento de pelo menos quatro anos.
  • Vergine e/o Soleras – Envelhecimento de pelo menos cinco anos.
  • Vergiene e/o Soleras Stravecchio e/o Risierva Soleras – Envelhecimento de pelo menos dez anos.

 Quando degustar?

O Marsala é geralmente bebido como vinho de aperitivo ou de sobremesa e, muitas vezes, é harmonizado com queijos como o Parmesão e o Roquefort. Tornou-se um elemento muito importante em sobremesas italianas assim como em risottos.

Apreciado durante muito tempo pelos nobres na Europa, o Marsala apresenta sabores intensos a damasco, baunilha, maçã, frutos secos, mel, noz, fumo, e açúcar mascavado. Quanto menos doçura quiser sentir, diminua a temperatura do serviço. A titulo de curiosidade, o Marsala é chamado do “vinho da amizade” para a partilha das alegrias e das tristezas.  

Saúde!


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Jerez - a pérola da Andaluzia!


Jerez, Xerez ou Sherry é um dos vinhos fortificados  mais complexos que tem se destacado internacionalmente. Com mais de 3000 anos de existência, é produzido na região de Jerez na Andaluzia (Sul de Espanha). Carrega uma cultura milenar complexa de envelhecimento de vinho em soleira. Historiadores encontraram evidências que Colombo bebeu Jerez na sua viagem para a América e que era a bebida preferida de Shakespeare. A verdade é que este vinho fortificado esteve presente na mesa das realezas nos séculos XVII e XVIII.


"Flor"
Mas afinal o que é o Jerez?

Produzido maioritariamente pela casta “Palomino” que após o esmagamento é fermentado em barris e posteriormente sofre adição aguardente vínica. Quando finalizado, começa o processo de solera, o vinho é armazenado em barris com ¾ da capacidade ocupada. O mesmo ganha uma camada denominada “flor” que consiste num fungo responsável pelo sabor típico do Jerez. O sistema de solera permite a mistura de vinhos velhos e novos de forma a manter a “flor”. 

Sistema "solera"
Como outros vinhos fortificados o Jerez pode ser encontrado em várias categorias e versões: fino, montillado, oloroso, palo cortado, amontillado, manzanilla, barrameda, cream e Pedro Ximenez. Alguns são secos outros muito doces e as suas categorias variam conforme a influência ou não da “flor”. 


Apesar da sua longa história, hoje o Jerez é um vinho moderno cada vez mais presente em restaurantes de luxo para acompanhamento de aperitivos e sobremesas. Com uma percentagem alcoólica entre 15% e 18% deve ser consumido com moderação. Para além disso, é  possível a degustação da sua aguardente vínica. O mundo dos vinhos fortificados é enorme e o Jerez daria para horas de leitura. Curioso? Se já o experimentou, partilhe connosco! 


terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Commandaria - o vinho mais antigo do mundo?

Segundo o Guinness World Records, Commandaria é o vinho mais antigo do mundo em produção! Originário da ilha de Chipre, no mar mediterrâneo, está comprovado que o vinho é produzido há mais de 4000 anos. Estamos a falar de um vindo doce, fortificado que atingiu a sua fama na idade média e posteriormente entre os Cavaleiros Templários do século XII. O seu nome tem origem na área onde os cavaleiros construíram o castelo Kolossi, “grande commandaria”. O vinho era tão relevante na região que podemos encontrar esta lenda num poema de 800 a.c. do poeta grego Hesíodo.


Processo de secagem das uvas ao sol
Como é produzido afinal?
 O vinho é produzido a partir de duas castas, uma branca (Xynisteri) e uma tinta (Mavro), geralmente de vinhas muito velhas. Para além do grande amadurecimento na vinha, as uvas são deixadas ao sol até duas semanas para intensificar os seus açúcares. Como a maioria dos vinhos fortificados, a fermentação é interrompida para adição de álcool vínico e é posteriormente envelhecido em barricas durante pelo menos 2 anos. É obtido no final um teor alcoólico em torno de 15º e um vinho bastante intenso. 




O que podemos esperar do vinho?
Commandaria é considerado um vinho doce de sobremesa, com textura densa e cor de âmbar. Encontramos notas de caramelo, baunilha, mel, ervas e frutas secas. Ao contrário do vinho do Porto, à medida que envelhece vai escurecendo. 

O vinho mais antigo do mundo é assim ideal para degustar com um chocolate ou um docinho. Há quem sugira degustá-lo singularmente após uma boa refeição. Sirva-o entre 6º a 9º graus e num copo pequeno para vinhos fortificados como o vinho do Porto. Uma experiência a não perder.