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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

O Moscatel de Setúbal!

Quando falamos em vinhos generosos portugueses rapidamente vem à mente o vinho do Porto, Madeira e Moscatel de Setúbal. Se o Porto e Madeira vivem em glória com a projeção internacional, o Moscatel de Setúbal vive uma realidade diferente. Com apenas 340 hectares de vinha, o Moscatel de Setúbal é produzido para o mercado interno mas ainda com uma presença inferior na garrafeira dos portugueses face ao Vinho do Porto. A exportação deste vinho licoroso é ainda reduzida e o seu maior mercado é a região de Lisboa e Setúbal. É portanto um vinho que precisa de uma maior divulgação nos mercados internacionais e no mercado interno.

O que é afinal o Moscatel de Setúbal?

Estamos a falar num vinho generoso produzido a partir das castas Moscatel de Setúbal e Moscatel roxo com uma graduação alcoólica compreendida entre 17º e 18º. É igualmente uma DOC (denominação de origem controlada) com centro em Azeitão na Península de Setúbal que foi criada em 1907! Para produzir o vinho, as uvas moscatel são colhidas bem maduras e no processo de fermentação há uma interrupção para adição de aguardente. Posteriormente o vinho é estagiado quatro anos em barrica. Atualmente o Moscatel roxo tem uma presença mais débil com apenas 10ha de plantação.

Como descrever o vinho?

De cor dourada desde topázio ao âmbar, apresenta uma textura suave e aromas intensos, florais com destaque para os frutos secos, mel, flor de laranjeira, especiarias, café e chocolate numa mistura de sensações. Em geral são vinhos bastante perfumados, doces, exóticos e com aromas inesquecíveis. Assim como a maioria dos vinhos generosos, podemos encontrar lotes de 20,30 e 40 anos de estágio. Já o Moscatel Roxo, possui aromas mais intensos, complexos e mais secos. Um vinho que não deixa ninguém indiferente.


Dado o seu grau alcoólico e a sua doçura (grau de açúcar no vinho varia entre os 90g e os 200g por litro), o Moscatel é considerado um vinho de sobremesa que concorre com outros vinhos generosos como o Vinho do Porto. Apesar de pouco difundido, a região de Setúbal tem produzido excelentes moscatéis com vários prémios atribuídos. Deixo-vos a sugestão.


terça-feira, 22 de novembro de 2016

Vinhas de pegões, syrah 2015.

Tenho ouvido recentemente alguns comentários menos positivos sobre a região vitivinicula de Setúbal. Daquilo que me apercebo, o senso comum diz que a região de Setúbal não é a melhor região de vinhos. Nao sei porquê?! Tenho degustado bons tintos da região e têm ficado acima das expetativas, melhores que muitos alentejanos ou durienses.
Nesse sentido, hoje resolvi trazer um vinho muito interessante que provei recentemente: Vinhas de Pegões Syarh 2015.

Este vinho produzido pela Adega de pegões, é feito 100% com Syrah, uma casta muito apreciada e valorosa. Estamos perante um excelente exemplo da adaptação do Syrah ao território português. Esta vinícola tem produzido excelentes vinhos e já se destaca a nível nacional como uma vinícola premiada com um grande crescimento! Foi então no ano de 2015 que foi lançado um excelente syrah com uma safra única.

Vejamos algumas características do vinho:

Vinicola: Adega de Pegões
Castas: Syrah
Ano: 2015
Vinificação: Fermentação alcoólica em cubas lagar inox com temperatura controlada seguida de maceração pelicular prolongada.
Envelhecimento: 4 meses em barricas de carvalho francês e americano e mais 4 meses em garrafa.
Teor alcoólico: 14%
Longevidade prevista pelo produtor: Evolução positiva prevista para pelo menos 7 anos.
PVP: 2,99€

Notas de prova: Um vinho de cor ruby com nariz intenso a fruta vermelha e preta, madeira bem integrada. Na boca é redondo e equilibrado. Os taninos estão bem ajustados e o vinho apresenta um bom corpo. Final longo, persistente e seco.

Algo surpreendente neste vinho é a percepção que nos dá de estarmos a beber um vinho com mais alguns anos. Para além disso, tem uma excelente qualidade/preço e é ideal para acompanhar carnes e pratos mais fortes. Uma opção infalível para este inverno. Experimentem!

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Casa Emerlinda Freitas - o sucesso feminino no mundo dos vinhos!

Para quem pensa que o mundo dos vinhos é apenas para homens, está completamente enganado! Uma prova disso é a casa Ermelinda Freitas, uma vinícola com gestão feminina! Nascida em 1920 por Deolinda Freitas, atravessou 3 gerações de mulheres com determinação. Na mais recente geração, Ermelinda Freitas, viúva, deu continuidade ao projeto lançando em 1997 a primeira marca de vinhos – Terras do Pó. Hoje conta com a colaboração de sua filha Leonor Freitas num projeto  que já conta com 5 gerações, 27 castas diferentes plantadas, 445 hectares de vinha e uma produção de 9 milhões de litros por ano. A determinação desta empresa familiar serve de inspiração a todos os enófilos!

Localizada na região de Setúbal, 40% das vinhas são Castelão a grande bandeira da região. Com um solo arenoso e um clima único, a região concebe vinhos distintos! Hoje, os seus vinhos são reconhecidos pela qualidade inquestionável.

A Casa Emerlinda apostou num lançamento de 12 monovarietais que é uma excelente oportunidade para sentirmos a essência de cada casta!







Hoje vamos sugerir “o Dona Ermelinda Freitas tinto” que é precisamente produzido à base de Castelão.Um vinho bastante gastronómico indicado para degustar em qualquer altura. 

Dona Ermelinda Tinto 2013
D.O. Palmela 

Castas: 70% Castelão, 15% Cabernet Sauvignon, 15% Touriga Nacional
Solo: Arenoso
Clima: Mediterrâneo
Estágio: 6 a 8 meses em meias pipas de carvalho francês
Teor Alcoólico: 14%
Cotação no Vivino: 3,5
Notas de prova: Um vinho de cor granada, no nariz muito aromático com notas de frutos vermelhos maduros e um toque ligeiro a madeira. Na boca é encorpado, macio, redondo com taninos bem polidos, um final prolongado e elegante


 Fico a aguardar a vossa opinião! 


segunda-feira, 10 de outubro de 2016

A reserva de Palmela do Pingo Doce!


Temos evidenciado nos últimos anos uma exigência crescente do consumidor na compra de vinhos. Aliado à crise financeira do nosso país, verificámos que nunca se discutiu tanto sobre a relação qualidade/preço. Surge no mercado novos consumidores que procuram mais por menos. Atentos a este movimento do mercado, os grandes tubarões da distribuição têm investido e presenteado o consumidor com vinhos de marca própria com excelente qualidade. Hoje venho falar de uma reserva da marca própria Pingo Doce produzido pela famosa Casa Ermelinda Freitas.

Em prova cega, este vinho poderia ter vários rótulos sem nunca se descobrir que estamos perante um vinho de marca própria. Aliás ainda arrisco a dizer que caso tivesse outro rótulo teria uma cotação ainda mais elevada em aplicações de vinhos. A verdade é que este produto ganhou mais prémios internacionais que algumas marcas conceituadas.

Feito a partir da casta castelão, a rainha da região demarcada de Palmela, é um vinho encorpado de cor granada e no nariz muito aromático e complexo com notas de frutos vermelhos e madeira. Na boca com bom volume, redondo com taninos polidos e bastante elegante

A boa notícia, é que é um vinho que custa nas prateleiras 2,49€ e compete a um nível mais elevado.

Deixo a sugestão e aguardo o vosso feedback.