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quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

O papel da acidez no vinho!

Quando degustamos um vinho, por vezes encontramos vinhos ou muito ácidos ou chatos sem frescura e leveza. Estamos a falar de vinhos desequilibrados, cuja a acidez não casa na perfeição com os taninos e o álcool (a estrutura do vinho).
A acidez é o elemento responsável pela frescura, alma e a vida do vinho. O tipo de uva, clima e vinificação é que determinam o nível de acidez. Quanto mais madura a uva, menos ácido o vinho tenderá a ser e mais doce será. O ponto de equilíbrio entre os dois é que determinará o sucesso do vinho. No geral, quanto mais frio o clima, maior a propensão de uma maior acidez e uma menor doçura. No casos dos brancos, a casta tem um peso relevante. Os micro-climas e as escolhas do enólogo serão determinantes.
Qual a vantagem de um vinho com boa acidez?
Uma boa acidez torna o vinho fresco, vivo e com carácter. A harmonização é favorecida pois a acidez permite a salivação, abrindo o apetite e preparando a boca para a degustação. Os tintos, são refrescantes e perfeitos para acompanhar pratos gordurosos e ainda cortam a sensação salgada de alguns pratos. Os brancos no verão, refrescam os dias de calor. Quando experimentamos vários tipos de pratos, o vinho deve ter uma boa acidez para limpar o paladar.
E se a acidez for fraca?
Um vinho pouco ácido é chato, sem vida, pobre e desinteressante. Para além disso, a falta de acidez, muitas vezes, torna o vinho doce e incapaz de fazer boas harmonizações. O potencial de envelhecimento é aniquilado, estragando rapidamente o vinho.


Como detetar a acidez?
Os cantos laterais da boca são responsáveis pela percepção da acidez. A quantidade de saliva irá nos mostrar também o nível de acidez. Quanto mais intensa a salivação, maior a acidez do vinho, isto porque esta tem como função limpar o palato. Em Portugal, as castas brancas mais ácidas são: Sercial da Madeira, Arinto, Avesso (Vinho Verde) e Rabigato (Douro). Nas tintas encontramos: Baga (Bairrada), Vinhão (Vinho Verde) e Trincadeira.


Em geral, o consumidor menos exigente prefere vinhos mais doces e menos ácidos, o mais exigente tolera melhor a acidez. Mas como tudo na vida o equilibro é o melhor!

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Ice Wine - o novo vinho da moda!

Conhecido como Ice Wine, o vinho de gelo é um vinho licoroso produzido a partir de uvas congeladas. Descoberto na Alemanha no século XXVIII, é no Canadá que atualmente dispara a sua produção a partir de 1990. Doce e com uma acidez elevada, apresenta geralmente notas de mel, frutas e nozes. A encantar o mundo, o ice wine cresce exponencialmente no mercado.


Como é produzido?
A partir de uvas congeladas, estas mantém a congelação até serem prensadas. Os açucares não congelam, apenas a água, permitindo uma uva mais concentrada e muito doce. O congelamento acontece antes da fermentação, e a colheita ocorre em Janeiro no Hemisfério Norte. Existe o risco de podridão, exigindo este vinho uma grande força de trabalho para a colheita ser feita em horas. Estamos a falar de uma produção pequena pois as uvas têm que estar totalmente congeladas. Vulgarmente o vinho é vendido em garrafas de 375ml.  Dado que as uvas têm que enfrentar pelo menos 3 dias de  -8ºC de temperatura, poucas regiões vinícolas conseguem produzir este néctar. Temperaturas superiores podem trazer podridão e comprometer a qualidade do vinho.

Quem produz?
Atualmente o Canadá e a Alemanha são os grande produtores seguidos pela Áustria, Croácia, República Checa, França, China, Hungria, Itália, Luxemburgo, Eslováquia, Eslovénia e Suécia.

Qual o preço?
O valor depende da região, mas estamos a falar de um vinho dispendioso. São necessários em torno de 3kg de uva (ou uma videira) para produzir uma garrafa de 375ml, sendo um dos vinhos mais caros do mundo. A garrafa mais cara foi vendida por $30 000.

Aconselha-se que o vinho seja consumido jovem para que a acidez fresca e a doçura sejam apreciadas. Recentemente o envelhecimento deste néctar está sendo explorando, tendo sido lançado um Ice Wine envelhecido. Veremos o que o futuro nos trará.


Sirva o seu vinho de gelo como aperitivo ou vinho de sobremesa.  

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Espumante ou champagne?

Os espumantes são uma peça fundamental para o ano novo. No entanto, apesar do seu imenso sucesso, frequentemente ouço pessoas a confundirem espumante com champagne. Na verdade estamos a falar de conceitos diferentes mal-compreendidos pelo público em geral. Todos os champagnes são espumantes mas nem todos os espumantes são champagnes.

Espumantes são vinhos que sofrem duas fermentações. A primeira é a fermentação alcoólica, comum em todos os vinhos em que o açúcar da uva se transforma em álcool. A segunda fermentação trata-se da fase em que o vinho ganha efervescência tonando-se assim num espumante. Existem vários métodos para a esta segunda fermentação, mas em geral pode ser realizada em cubas de inox ou em garrafa.


Champagne é um vinho espumante geralmente rosé ou branco, produzido na região de Champagne na França, feito através das uvas tintas Pinot Noir, Pinot Meunier ou da uva branca Chardonnay. A segunda fermentação é feita em garrafa sendo conhecido em Portugal como o método champanhês. Existem, assim, procedimentos rigorosos e uma região delimitada para a produção destes vinhos. Todos os espumantes produzidos fora desta região ou produzidos por métodos distintos não poderão ter esta classificação!

Portanto, o espumante só será champagne se tiver certificação para tal (verificar rótulo). Existem outros tipos de espumante como o espanhol Cava e o italiano Prosecco. Em Portugal, podemos encontrar bons espumantes das regiões da Bairrada, Tavora-Varosa e até os espumantes alvarinho da região dos vinhos verdes.

Vamos partilhar a informação para esclarecer a dúvida de vez!


Um brinde!

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Pisa a pé faz diferença?


Pelas vínicolas de Portugal, encontramos a conservação de uma tradição milenar que remonta a Roma antiga: a pisa a pé. Bem presente em alguns dos grandes produtores do Douro e na extensa tradição do vinho do Porto, as uvas são esmagadas em lagares, geralmente consituidos por granito, até à extração do mosto. Posteriormente, inicia-se o processo de fermentação para a obtenção do vinho. Atualmente, a maioria dos produtores trocou este método tradicional por prensas automáticas.
A pisa a pé faz diferença?
Os especialistas dizem que sim! A pisa a pé permite uma maior extração de cor e aromas dado que o ato de espremer as uvas é mais intenso e demorado, aumentando o contacto das cascas com o mosto. São as cascas que vão trazer aromas, estrutura e cor ao vinho. Na pisa a pé, o esmagamento dura várias horas, em contraste com os minutos que demora numa prensa automática. Nesta, elementos indesejados como as sementes são quebrados dando uma amargura e um aroma herbáceo ao vinho. Reconhece-se que vinhos produzidos com recurso à pisa a pé mostram intensidade aromática e carácter.

Esta técnica é no entanto cara e demorada, levando ao elevado uso de apoio mecânico pelas vinícolas. Este método  acaba por muitas vezes ser só utilizado para os grandes vinhos. Verificamos também que a maioria dos vinhos do Porto correntes já não são feitos a partir da pisa a pé. Há, no entanto, produtores que mantêm o costume intacto como a Quinta da Pacheca. O enoturismo tem trazido um novo interesse por esta tradição, que mantém viva a prática!

quinta-feira, 9 de março de 2017

Quantas uvas são necessárias para produzir uma garrafa de vinho?

Como apreciadores de vinho, é pertinente sabermos o que estamos a consumir e como é produzido. A produção de vinho é uma arte e implica uma grande gestão e planeamento. Uma videira em geral, tem de aguardar 4 anos para produzir cachos dignos da produção de vinho. Mas afinal quantas uvas precisamos para produzir uma garrafa? 




A resposta não é absoluta dado que os números variam consoantes diversos factores tais como:

- Tipo de casta (tamanho dos bagos, tamanho dos cachos, quantidade de sumo da polpa)
- A prensagem.
- O rigor na seleção das uvas.
- A poda.
- A exposição solar (quanto mais quente mais desidratadas ficam as uvas).

Apesar da grande variedade de fatores, há alguns números que podemos assumir. Em média, estabelece-se que para a produção de uma garrafa standard (750 ml) é necessário 1 quilo de uva o que corresponde a 300 uvas.

Vejamos alguns números padrão:

1 cacho de uvas = 75 uvas
1 copo de vinho = 1 cacho de uvas = 75 uvas
1 garrafa de vinho = 4 cachos de uvas = 300 uvas

Como qualquer média, cada caso será um caso, mas em geral quanto mais exigente a seleção das uvas menor será a rendibilidade das videiras. Por essa razão, quanto mais selecionada a colheita, melhor e mais caro deverá ser vinho. Para além disso, o grande fator diferenciador é sem dúvida o tipo de casta. A produção de vinho é muito mais que plantar uvas e esmagá-las, implica um grande planeamento. 

sexta-feira, 3 de março de 2017

Sabia que 85% do vinho é água?

A maioria da população acredita que o vinho é essencialmente um conjunto de moléculas aromáticas da uva, mas essa é apenas uma parte pequena da composição do vinho. A composição química do vinho é um assunto desconhecido e hoje vamos clarificar.


Que elementos podemos então encontrar no vinho?

Água – 85%

Sim, a água é aquele bem essencial à vida e ocupa grande destaque na composição do vinho para espanto de muitos. Inclusive, em muitos países que não contém água potável, beber vinho reduz o risco elevado de contaminação. Já ouvimos várias histórias românticas sobre o nascimento do vinho, mas este expandiu também por ser uma bebida mais segura que a água.

Álcool – 13% (valor médio)

Aqui vem um elemento de peso. Todos identificamos a presença do álcool no vinho, quer pela positiva quer pela negativa. Este surge no momento da fermentação quando os açúcares da própria uva se transformam em álcool. A sua percentagem varia de vinho para vinho sendo que ronda os 8% a 15%. Os vinhos fortificados sãos os reis neste ponto dado que apresentam uma percentagem de álcool entre 17% e 20%.

Glicerol – 1%

O Glicerol é uma espécie de álcool ligeiramente açucarado que é obtido durante a fermentação do mosto. A sua presença proporciona um vinho suave, gordo e untuoso, ou seja, a viscosidade. É graças a este elemento que podemos apreciar as lágrimas existentes no copo. Quanto mais glicerol, mais lágrimas encontramos.

Ácidos – 0,5%

O ácido do vinho é medido pelo famoso PH e tal como muitos alimentos, os vinhos podem ser mais ou menos ácidos dependo da casta, região entre outros factores.

Açúcar residual

A concentração de açúcar é o que vai determinar se um vinho é seco ou doce. Na teoria, um vinho seco não tem açúcares residuais e um vinho doce pode atingir os 200 gramas por litro. No entanto, no geral, o açúcar costuma variar entre 0 e 10 gramas por litro.

Fenólicos – 0,1%

Os fenólicos, de uma forma geral, contém os elementos especiais do vinho. Determinam essencialmente a cor do vinho, os aromas, e os famosos taninos que proporcionam a estrutura do vinho. São na verdade a prova que a influência de um pequeno elemento pode alterar tudo. 



sábado, 14 de janeiro de 2017

O que é afinal um vinho estruturado?

Quantas vezes ouvimos falar em vinho estruturado? Se para uns o termo é básico, para muitos ainda causa dúvidas. Antes de mais, precisamos entender o que é a estrutura dos vinhos.

Estrutura = Taninos + Álcool + Acidez

A estrutura do vinho consiste na sua constituição que é percebida no paladar num equilíbrio entre o grau alcoólico, a acidez e textura. Não está relacionado com o sabor mas sim com todas as condições necessárias para o vinho envelhecer bem. Um vinho estruturado é assim um vinho que tem uma boa constituição e presença de álcool, ácidos e taninos. Com carácter, mostra-se um vinho completo e com vida que permite envelhecer com sucesso. Vinhos não estruturados são vinhos aborrecidos sem acidez e demasiado macios que não terão possibilidade de evoluir.

    De uma forma geral, a acidez é essencial para trazer frescura, vivacidade e para abrir os aromas. O excesso de acidez irá tornar um vinho amargo e irá salientar os seus taninos, tornando-o intolerável. A acidez é percebida através da elevada salivação e nos pontos laterais da língua.
   O álcool é o agente responsável pelo corpo do vinho e é uma peça fundamental para a sua conservação. Consiste essencialmente da fermentação dos açúcares das uvas maduras. A doçura é percebida na ponta da língua.
   A função essencial dos taninos é dar estabilidade e textura ao vinho.  Um vinho com excesso de taninos será adstringente e amargo. Na quantidade certa os taninos promovem a longevidade e a conservação do vinho atuando num papel crucial para o envelhecimento do mesmo. Quando os taninos estão equilibrados, o vinho torna-se macio, suave e aveludado.

Criar um vinho estruturado exige um equilíbrio perfeito dos vários componentes. Uma das tarefas mais difíceis de um enólogo. Quando atingindo o ponto certo, iremos desfrutar de um momento especial e prazeroso. 


sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Vinhos com ou sem madeira?

O mundo dos vinhos não escapa a modas e tendências. A relação do vinho com a madeira é controversa e cíclica. Tudo começou com o uso da madeira para transporte do vinho e hoje é um mercado que movimenta milhões. Portugal não é indiferente dado que é um dos países do mundo que mais inclui madeira nos seus vinhos. Hoje, enólogos investem num conhecimento profundo sobre os tipos de madeira, origem, tostas, barricas etc… É tudo escolhido a dedo, uma arte! Encontramos consumidores que não dispensam a madeira num vinho e outros que preferem vê-la longe.

Vejamos os prós:

A madeira mais utilizada é o Carvalho, quer o Francês quer o Americano, que contribui para a criação de aromas mais complexos e diferenciados. A partir de vinhos com estrutura, a madeira permite arredondar os taninos, anular o caracter vegetal e atingir a plenitude da maturação. Em geral a madeira possibilita o surgimento de aromas mais distintivos como especiarias, café, baunilha, chocolate, mel etc.. Os vinhos tornam-se assim mais volumosos e complexos gerando os grandes vinhos de guarda. Esta arte, quando bem empregue, cria grandes maravilhas!

Vejamos os contras:

Na entrada de novos países no mundo dos vinhos, a tentativa de imitação do vinho europeu proporcionou que os novos produtores adotassem intensamente o estágio em madeira. Recentemente, muitos produtores chegaram à conclusão que os vinhos tornavam-se demasiado amadeirados e complexos e começaram a criar vinhos mais frescos e menos amadeirados. Hoje já é tendência a aposta em vinhos frutados, jovens e “fáceis de beber”, havendo assim uma maior panóplia de opções. A verdade é que nem todos os vinhos podem ser estagiados em madeira. Os mais leves não suportam o impacto da mesma. É crucial para um enólogo equilibrar a madeira com a fruta o que nem sempre é conseguido. Há vinhos que a intensidade da madeira é tanta que não conseguimos encontrar vinho no copo. Daí muitos consumidores procurarem vinhos mais jovens. Hoje a maioria das grandes vinícolas produzem vinhos com ou sem estágio de forma a alargar o mercado. Há ainda quem opte pelo estágio em garrafa em alternativa. 


A enologia como qualquer ciência vai mostrando recuos e avanços. Se os vinhos estagiados em madeira têm abrilhantado o mundo com aromas únicos e texturas aveludadas, os sem estágio têm mostrado leveza, frescura e a verdadeira fruta. Cada um terá o seu lugar e gostos não se discutem. 



sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Vinho laranja!

Vinho laranja? Sim, sem corantes! Para além dos famosos vinhos tintos, brancos e rosés, podemos encontrar no mundo vinícola vinhos laranjas. Originários na Geórgia, o vinho laranja compila a textura do vinho tinto com a frescura do vinho branco. Cada vez mais famosos no mercado e com bom potencial, vemos uma tendência crescente deste produto.

Como são feitos?

Os vinhos laranja são feitos a partir de uvas brancas mas com uma diferença significativa: à semelhança dos vinhos tintos, as cascas são mantidas no processo de vinificação. Dessa forma obtermos um vinho com uma textura semelhante a um vinho tinto mas com características aromáticas de vinho branco. São assim vinhos chamados muitas vezes de vinhos “de contacto” uma vez que as cascas das uvas entram em contacto com as bagas no processo de vinificação. Com uma cor sedutora, são vinhos naturais produzidos sem químicos e sem grandes filtros. No mundo dos vinhos, encontramos também a classificação “anti-rosés” dado que nos rosés, acontece o oposto: uvas tintas com processo de vinificação do vinho branco.

Como nasceram?

A origem destes vinhos encontra-se na Geórgia. No entanto, atualmente são produzidos também na Croácia, Áustria, Eslovénia e Itália.

Os vinhos laranjas são refrescantes e são uma boa opção para o Verão. Combinam com peixes, mariscos e pratos de carne mais leves, sendo assim vinhos muito versáteis. Apresentam uma cor a lembrar frutos secos, mel, amêndoas e damasco. A nível de textura dizem os entendidos que se assemelha a tintos mais suaves. Uma experiencia a não perder!


Se já experimentou, partilhe connosco!


quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Retsina – o vinho que sabe a árvore de natal!

Vinho com sabor a árvore de natal? Sim, é possível graças a um dos mais famosos vinhos resinados o grego “Retsina”.

Apesar de poucas vezes referido, a Grécia produz vinho desde 4000 anos a.C.! Marcando presença como um dos países do velho mundo dos vinhos, o vinho foi usado ao longo de séculos não só para festas mas também como medicamento. Em todo o país há marcas do processo de vinificação com grandes áreas de cultivo e inclusive grainhas de uvas em túmulos antigos. Atualmente o país produz com grande qualidade vinhos e cultiva mais de 250 variedade de castas.

O vinho Retsina é assim um dos vinhos gregos mais famosos do mundo que é feito através da adição de resina de pinheiro geralmente no processo de vinificação do vinho branco e rosé. Tudo começou com a introdução da resina para preservação da oxidação através do impedimento de entrada de ar. Há quem especule que a sua utilização foi também para desmotivar os romanos a roubá-lo. A verdade é que se tornou um vinho famoso e bastante apreciado no verão. Para quem ainda não provou trata-se de um vinho bastante intenso com os aromas da resina do pinheiro a dominar. Um vinho muito diferente que ou se ama ou se odeia.

No mercado podemos encontrar vinhos “resinados” mas tenha atenção “Retsina” é uma denominação apenas para os produzidos na Grécia e no Chipre. (parece a velha história do champagne/espumante). Na época de natal, com o calor da lareira e o pinheiro a brilhar, Retsina encaixa na perfeição.


Se experimentar, partilhe connosco!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O que é afinal um vinho suave?

Apesar de não ser o mais comum em Portugal, encontramos no mercado alguns rótulos com indicativo “vinho suave”. Esta terminologia para muitos é estranha! Alguns consumidores consideram que vinho suave é um vinho doce mas na verdade são termos distintos. O termo "vinho suave" é nada mais nada menos que uma categoria quanto ao teor de açúcar.  A doçura é obtida da própria uva, manipulada no processo de vinificação
Os vinhos tranquilos podem ser assim considerados quanto ao teor de doçura: secos, meio-secos, suaves e doces.
  • Os vinhos secos apresentam uma fraca perceção de doçura, geralmente têm até 5 gramas de açúcar por litro.
  • Os vinhos meio-secos apresentam pequeno traço de doçura com um nível de açúcar não superior a 20 gramas por litro. É assim uma categoria bastante abrangente em termos de doçura.
  • Os vinhos suaves podem ser tintos ou brancos e geralmente são vinhos mais frutados e com alguma doçura. Geralmente apresentam mais de 20 gramas de açúcar por litro. São assim vinhos acessíveis para quem nao consome habitualmente esta bebida e uma boa porta de entrada para quem está a entrar no mundo dos vinhos. 
  • Os vinhos doces geralmente apresentam um teor de açúcar superior a 80 gramas de açúcar por litro sendo assim considerados vinhos de sobremesa.
Os vinhos sauves são uma boa escolha para um momento descontraído com amigos e para uma escolha segura num jantar.  Dificilmente encontramos vinhos suaves desagradaveis. No entanto, em termos gastronómicos considero que a opção deve ser bem ponderada dado que este tipo de vinho não harmoniza bem com qualquer prato. Sugerimos um tinto suave harmonizado com um prato de carne branca. 
Experimente e partilhe connosco. 

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Os vinhos monovarietais!

Uma das primeiras questões que é colocada no ato de compra de um vinho é a escolha das castas. Se, para alguns apreciadores a escolha é fácil para outros não. Há medida que vamos experimentando diferentes castas e blends (combinação de castas) vamos registando as nossas preferências.

O que são afinal os vinhos monovarietais?

Estamos a falar de vinhos produzidos apenas com uma casta e que têm crescido bastante no mercado. Muitas vinícolas têm criado excelentes monocastas com o intuito de valorizar ao máximo as castas da região. Desde o Alvarinho na região dos Vinhos verdes até ao Syrah no Alentejo, estes vinhos são por vezes mal vistos pois segundo alguns argumentos, só se consegue atingir o equilíbrio perfeito com a combinação das castas. Se para um enólogo é desafiante conseguir um blend excelente, arrisco a dizer que fazer um grande vinho com uma casta é estimulante.

Vemos no mercado alguns sucessos conhecidos como os monovarietais da Casa Ermelinda Freitas, Alvarinho Soalheiro e o verdelho da Herdade do Esporão.
A grande vantagem dos vinhos monocasta é o facto de facilitar a escolha do consumidor não tão experiente. Ao simpatizar com um Syrah do Alentejo, será fácil apreciar qualquer vinho com a mesma casta e região. No caso dos blends a tarefa torna-se mais complicada pois com o aumento das combinações possíveis e percentagens distintas de cada casta, torna-se mais difícil na previsão da degustação.


Por fim, considero que estes vinhos também permitem descobrir a verdadeira identidade e singularidade de cada casta. Para quem quer aprofundar o conhecimento no mundo vinícola e compreender melhor os blends deverá primeiramente entender cada casta.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Vinho frisante é espumante?!

Para muitos, um vinho gaseificado é necessariamente um espumante ou champagne. A verdade é que a confusão persiste. Já falámos da diferença entre espumante e champagne e hoje vamos falar sobre outro tipo de vinho confundido por espumante: o vinho frisante.

O que é um vinho frisante afinal?

O vinho frisante é um vinho com um pouco de gás carbónico cujo o gás é gerado no processo de fermentação da uva. São vinhos jovens, leves e geralmente frescos. A grande diferença destes vinhos para o espumante é que têm metade do gás e menos espuma devido ao facto do espumante sofrer mais uma fermentação que o frisante. Na produção são usadas essencialmente uvas de regiões mais frescas e altas para que se possa gerar vinhos frescos e com alguma acidez. Enquanto que os espumantes, geralmente repousam dois anos e sofrem com frequência processo de envelhecimento, os vinhos frisantes são vinhos para serem bebidos jovens. Podemos também evidenciar o menor grau alcoólico dos vinhos frisantes face aos restantes. O vinho frisante mais famoso é o italiano Lambrusco!

Quando devem ser bebidos?

Os vinhos frisantes assim como os espumantes, são vinhos muito versáteis. Podem acompanhar facilmente entradas, aperitivos, pratos principais e até sobremesas. A comida mediterrânica é perfeita para este vinho. Experimente um frisante com pizzas, massas italianas, frango assado e mariscadas. Os vinhos rosés são uma opção segura para acompanhar sobremesas.

E vocês, o que acham dos vinhos frisantes? 

terça-feira, 8 de novembro de 2016

O segredo das vinhas velhas!

Muitas vezes deparamos-nos com vinhos com rótulo “vinhas velhas". Mas afinal o que são?

A idade de uma vinha depende essencialmente da região, uma vinha velha numa região vinícola antiga como o Douro não terá a mesma idade que numa região vinícola mais recente como o Alentejo. Em geral, uma vinha só pode produzir vinho a partir de 3 anos de idade. Em algumas regiões vinícolas mais antigas, as vinhas têm que esperar 6 a 8 anos para produzir vinho. A partir dos 20/25 anos, a vinha começa a produzir menos cachos mas uvas mais concentradas.

Por que razão as vinhas velhas produzem bons vinhos?

1.  A decadência da vegetação traz um equilibro entre folhas e frutos.
2. Os frutos aparecem em menor quantidade gerando bagos pequenos mas mais concentrados em aromas e sabores.

3.Sistema radicular mais amplo que permite um aprofundamento nas raízes que sobrevivem bem à falta de água e ao calor. Esse fenómeno gera uma maturação mais regular e total. Permite, igualmente, uma maior absorção das características do solo da região.

4. A produção é regular ano para ano, tornando as safras muito homogéneas. O mercado aprecia a constância da qualidade.



Mas porque estes vinhos são em geral mais caros?
Kopke Vinhas velhas
PVP: 45€
Cotação vivino: 4,4

A exploração destes vinhedos é cara, uma vez que estes exigem mais cuidados na exploração. Para além disso, geralmente estas vinhas não permitem colheitas elevadas em termos quantitativos. 

A presença de “vinhas velhas” no rótulo é garantia de qualidade?

Os vinhos produzidos por estas vinhas geralmente apresentam um grande equilíbrio e muita concentração de aromas. Estes vinhos são reconhecidos como singulares. Mas tal e qual os restantes, a forma como são produzidos vai influenciar a sua qualidade. 

Já provaram? Fica a sugestão. 

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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

A moda dos vinhos azuis!

Após a criação de excelentes vinhos tintos, brancos, rosés e até laranjas, eis que o ser humano não fica satisfeito e decide criar vinhos azuis! Mas porquê?!

Criado inicialmente pela GIK, uma empresa espanhola, a Bacalhôa Vinhos foi na onda e lançou o Casal Mendes Blue. Basicamente estamos falar de um vinho com adição de corante azul que afirmam os produtores ser de origem natural. No copo é um vinho brilhante, dramático e cativante, mas na boca tem sido considerando um vinho simples e doce sem nada a acrescentar. Aconselhado para beber em esplanadas e bares, o vinho promete satisfazer a procura por um vinho refrescante, jovem e divertido. 

Sinceramente, considero esta ideia disparatada pelas seguintes razões:

  • Qual a necessita de adicionar corante a um vinho se a cor natural do vinho é dos aspectos mais interessantes da bebida?
  • A adição de corantes não permite aos amantes do vinho fazer uma análise visual ao vinho. 
  • Pode despoletar a moda de fazer vinhos de todas as cores deturpando a essência do vinho.
  • Banaliza o vinho como uma bebida qualquer que leva corantes!
  • O azul aplicado é simplesmente anti-natural. Parece que vamos beber uma porção química. 

Sei que há quem tenha gostado desta ideia mas sinceramente o que isto vai contribuir para a melhoria na produção dos vinhos? A criação de um "novo vinho" apenas pela introdução de corantes desvaloriza a enologia!

Querem um vinho refrescante? Sugiro que optem por um bom rosé ou um vinho verde.

E vocês? Pensam o mesmo?



domingo, 6 de novembro de 2016

O segredo dos vinhos fortificados!

Muito se fala de vinhos fortificados! Em Portugal encontramos o vinho do Porto, da Madeira e o Moscatel de Setúbal como os mais referidos. No entanto, para muitos apreciadores ainda há dúvidas sobre este tipo de vinho.

Afinal, como são feitos os vinhos fortificados?

Na produção habitual do vinho, as uvas são esmagadas e inicia-se assim a fermentação, ou seja, a transformação do açúcar em álcool. Nos vinhos fortificados, em geral, o processo de fermentação é interrompido com a adição de aguardente ou outra bebida destilada. Conforme o momento de interrupção, o mosto estará mais ou menos doce. Geralmente, estes vinhos apresentam uma percentagem de álcool de 19 a 22% e alguma doçura devido à suspensão da fermentação das uvas, tornando-se assim uma bebida intensa.

Como nasceram?

Inicialmente, a introdução de bebidas destiladas na fermentação tinha como objetivo a melhor preservação do vinho. Elas permitiam que o vinho permanecesse em excelentes condições por décadas daí o sucesso da conservação dos vinhos fortificados. A técnica era assim crucial para o transporte de longo curso de vinhos. Hoje em dia, esta técnica serve apenas para a produção de notáveis vinhos para degustação.

Quando se deve degustar esta bebida?

Os vinhos fortificados não são os ideais para acompanhar refeições. Eles brilham como aperitivos, digestivos e para acompanhamento de sobremesas. Há também a combinação perfeita com os queijos!


O meu vinho fortificado preferido é sem dúvida o vinho do Porto. E o seu?



sábado, 29 de outubro de 2016

Como se faz um Rosé?

Amado por muitos, desvalorizado por outros, o vinho rosé está cada vez mais na moda! Com as suas cores ricas desde o pêssego até à groselha, os vinhos rosés têm a delicadeza dos brancos mas com aromas vivos do vinho tinto. Caracterizados pela sua leveza e teor alcoólico baixo, os vinhos rosés foram inicialmente vinhos ligeiros, adocicados e gaseificados. Hoje encontramos um perfil de Rosés diferente sendo atualmente vinhos mais complexos, secos e com elevada qualidade tornando-se assim vinhos de mesa e não apenas para aperitivos e esplanada. Qualquer vinícola em Portugal tem um rosé!

Mas como se faz um Rosé?
  1. No passado usava-se a técnica de mistura de uvas brancas e tintas ou com a mistura de vinhos brancos e tintos mas estes métodos estão praticamente extintos por não trazerem qualidade ao vinho.
  2. Os vinhos rosés mais leves e frescos são feitos a partir de uvas tintas mas com o método de vinificação do vinho branco. Chama-se a esta técnica a compressão direta.
  3. Os vinhos rosés mais encorpados e alcoólicos acontecem geralmente quando num processo de produção de vinho tinto, num período de 6 a 48 horas, são retiradas as películas (elemento que é responsável pela cor) e a fermentação continua.

Concluímos assim que hoje a maioria dos vinhos rosés são feitos a partir de castas tintas!
 Apesar de serem tratados como vinhos para mulheres, os Rosés têm conquistado cada vez mais mercado. São vinhos muitos versáteis e são a companhia perfeita para acompanhar, saladas, pizzas e comidas mediterrânicas. Para quem está a entrar no mundo dos vinhos é um excelente inicio uma vez que não são vinhos demasiado complexos e são em geral leves.

E vocês? Já se renderam aos Rosés?

sábado, 15 de outubro de 2016

Barricas de carvalho francês ou americano?


Quando lemos um rótulo de um vinho, frequentemente é referido o envelhecimento em barricas de carvalho. O uso de barricas na enologia é histórica, uma vez que no passado foram usadas para transportar vinho em segurança. Atualmente, as barricas são usadas estrategicamente para produzir vinhos mais redondos e acrescentar novos aromas ao néctar. Para além disso, o envelhecimento em barrica aumenta a longevidade dos taninos e por consequência do vinho. A influência da barrica no vinho depende: do tipo de carvalho, do modo como é feita, da idade, da tosta, da secagem e ainda do seu tamanho.


Hoje apenas vamos fazer distinção entre as duas famosas barricas: carvalho francês e carvalho americano.

Fiz um quadro de forma a visualizarmos melhor as diferenças:




Em geral, as barricas de carvalho francês custam o dobro das americanas no entanto são as mais apreciadas e valorizadas por gerarem vinhos mais complexos, estruturados, redondos e com um grande bouquet de aromas.

A escolha fica ao critério do enólogo e do tipo de vinho que pretende criar. Há ainda quem produza o vinho com uma mistura das duas barricas. As opções são múltiplas!

Quando provar um vinho com envelhecimento em barrica, verifique qual o seu tipo. Assim, terá uma ideia de algumas características prováveis do vinho.


Iremos futuramente falar de outros aspetos importantes das barricas. Fique atento!

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