domingo, 16 de outubro de 2016

Syrah - o vinho da última ceia?

Syrah (ou Shiraz em Inglês) é uma das pérolas dos grandes vinhos tintos do mundo! Cultivada por todo o mundo, os especialistas discutem sobre a sua origem. Há quem afirme que a sua origem é francesa, outros dizem que veio da Sicília (Itália) ou há quem admita que a sua origem é persa (atual Irão). Há portanto especulação que esta casta tenha sido a utilizada na ultima ceia de Jesus uma vez que era a única casta da região. 


Utilizada em vinhos monocásticos ou em blends (mistura de várias castas), Syrah tem brilhado em Portugal há 30 anos.  

A região onde se adaptou melhor foi no sul do País, sendo cultivada maioritariamente no Alentejo e na região de Setúbal e Lisboa. É a 10º casta mais plantada em Portugal e tem gerado vinhos distinguidos internacionalmente pela sua qualidade inconfundível.

Vejamos então as características desta pérola e dos seus vinhos:

Maturação das uvas: tardia.
Rendimento: casta muito produtiva.
Clima: adapta-se melhor em climas especialmente quentes. Em regiões com muito sol, eleva-se o nível de açúcar.
Aromas: Fruta madura escura como ameixa, amora e cereja, pimenta, animal.
Cor: Vermelho intenso e exuberante com nuances violetas na juventude. Em geral, é um vinho muito escuro.
Corpo: Robusto e intenso.
Intensidade: Persistente.
Álcool: Elevado.
Taninos: Salientes, originado vinhos com grande guarda.
Harmonizações: Comidas com sabor ricos: assados de cordeiro, carne de vaca, aves, queijos amarelos, carne de caça como veado e javali.


Syrah - Casa Ermelinda Freitas
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É portanto assim, uma grande casta que não deixa ninguém indiferente.  Depois de provar um Syrah, será possível identifica-lo em qualquer vinho.

Já provou um Syrah? Deixo uma sugestão de prova.






sábado, 15 de outubro de 2016

Barricas de carvalho francês ou americano?


Quando lemos um rótulo de um vinho, frequentemente é referido o envelhecimento em barricas de carvalho. O uso de barricas na enologia é histórica, uma vez que no passado foram usadas para transportar vinho em segurança. Atualmente, as barricas são usadas estrategicamente para produzir vinhos mais redondos e acrescentar novos aromas ao néctar. Para além disso, o envelhecimento em barrica aumenta a longevidade dos taninos e por consequência do vinho. A influência da barrica no vinho depende: do tipo de carvalho, do modo como é feita, da idade, da tosta, da secagem e ainda do seu tamanho.


Hoje apenas vamos fazer distinção entre as duas famosas barricas: carvalho francês e carvalho americano.

Fiz um quadro de forma a visualizarmos melhor as diferenças:




Em geral, as barricas de carvalho francês custam o dobro das americanas no entanto são as mais apreciadas e valorizadas por gerarem vinhos mais complexos, estruturados, redondos e com um grande bouquet de aromas.

A escolha fica ao critério do enólogo e do tipo de vinho que pretende criar. Há ainda quem produza o vinho com uma mistura das duas barricas. As opções são múltiplas!

Quando provar um vinho com envelhecimento em barrica, verifique qual o seu tipo. Assim, terá uma ideia de algumas características prováveis do vinho.


Iremos futuramente falar de outros aspetos importantes das barricas. Fique atento!

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sexta-feira, 14 de outubro de 2016

A cor do vinho branco!

Conforme falamos na primeira publicação, a análise visual é fundamental para a perceção das características essenciais do vinho. A par da viscosidade já explicada, a cor também é um aspecto essencial a ser analisado.

Hoje vamos falar de uma forma simples sobre a cor dos vinhos brancos.


Um dos atributos demonstrados pela cor é a sua evolução. Os vinhos brancos começam geralmente a sua vida com cor amarelo-palha com reflexos esverdeados, e vão alourando para amarelo-ouro a âmbar ao longo dos anos. Os tons esverdeados tendem a desaparecer no primeiro ano. 

Geralmente os vinhos brancos vão escurecendo com a idade pelo que quanto mais claros mais jovens, frescos e ácidos serão. Quando apresentam uma tonalidade mais dourada, geralmente são vinhos mais maduros e menos frescos.

Os vinhos licorosos envelhecidos apresentam um tom mais escuro demonstrando o seu desenvolvimento.

Há igualmente outros aspectos que influenciam por exemplo o tipo de casta. Podemos verificar empiricamente que em geral, os vinhos brancos do Douro feitos partir de Malvasia fina, viosinho e Gouveio apresentam uma cor bastante clara enquanto os brancos alentejanos feitos a partir de Roupeiro e Rabo de Ovelha apresentam um tom mais dourado. No entanto o que é interessante é que os brancos do Douro são geralmente mais suaves e frescos do que os brancos alentejanos, comprovando assim o que já referimos.

Por fim, a cor irá igualmente transmitir a sua concentração. Quanto mais intensa a cor mais concentrado será o vinho.

Na análise, classifique o vinho quanto à cor e obterá uma expectativa do vinho. (amarelo pálido, amarelo citrino, amarelo palha, amarelo dourado, dourado, âmbar).



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quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Lasanha bolonhesa - Qual o melhor vinho para acompanhar?

A famosa Lasanha, nascida no coração da Itália, tem cativado apreciadores pelo mundo inteiro. Hoje, em qualquer país é possível provarmos esta maravilha da gastronomia. A sua variante mais conhecida é lasanha bolonhesa. Considerada uma comida de conforto, é muitas vezes escolhida para jantares com amigos e momentos em família. A questão que se coloca é: qual o melhor vinho para acompanhar esta lasanha?

A primeira regra das harmonizações é sempre olhar para o molho. A sua composição irá determinar qual o vinho a escolher.

No caso do molho bolonhesa, este é constituído essencialmente por tomate e carne de vaca. Verificámos em geral a presença de queijo e temperos fortes. É portanto um prato rico, gorduroso e bastante ácido devido ao tomate.

Vejamos algumas ideias:
  • o   Carne vermelha – harmoniza melhor com vinhos tintos.
  • o   Molho com tomate – é um molho ácido e portanto carece de vinhos com acidez.
  • o   Comida gordurosa – necessita de vinho com taninos bem presentes para cortar o efeito da gordura.
  • o   Comida pesada – exige vinhos encorpados.


Com base na análise, sugiro a escolha de um vinho à base de Cabernet Sauvignon que geralmente apresenta taninos vincados, bom corpo e acidez presente. Syrah também é uma boa opção.

O importante é evitar vinhos leves, poucos tânicos e com pouca acidez. Os vinhos mais secos são recomendáveis.


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Porto Ruby ou Porto Tawny? Qual escolher?

O vinho do Porto é um dos mais famosos vinhos fortificados do mundo. Com origem na região do Douro, apresenta uma história de gerações. Sofreu ao longo de décadas uma progressão na produção, sendo atualmente um dos melhores vinhos para acompanhar sobremesas ou apenas como aperitivo. Quando vamos comprar um Porto, a primeira dúvida que surge é se devemos escolher Porto Ruby ou Porto Tawny. Deixo uma breve explicação das diferenças:

Porto Ruby

Conforme o nome indica, a sua cor é semelhante a um Ruby. Normalmente são envelhecidos apenas em 2 ou 3 anos em pipas de carvalho e devido ao baixo contacto com a madeira e à fraca oxidação preservam o sabor original do vinho. São vinhos frutados, ricos, com carácter jovem, com realce nas frutas silvestres como ameixa. Geralmente são vinhos mais fortes e intensos que os Tawny’s. A capacidade evolutiva destes vinhos é menor, sendo assim vinhos para abrir entre 3 a 5 anos.

Porto Tawny

Os famosos Tawny’s são elaborados com a mesmas castas que os Ruby’s mas após o envelhecimento de 2 ou 3 anos em pipas de carvalho, são transferidos para barricas de carvalho francês de 550 litros. Assim, apresentam um maior contacto com a madeira, respirando mais e envelhecendo velozmente. Devido à elevada oxidação, apresentam uma cor mais clara e aromas de frutos secos com grande complexidade aromática. São vinhos menos encorpados, mais adocicados e que a madeira confere um aroma tostado, a café, a mel, a chocolate entre outros. A capacidade evolutiva destes vinhos é elevada, chegando a envelhecer em garrafa por décadas.

A escolha fica assim entregue ao gosto de cada um e à finalidade da aquisição. Acompanhe o seu Porto com uma deliciosa sobremesa. 


Futuramente,  iremos falar de outros tipos de Porto. Fique atento!

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Alvarinho - a pérola dos Vinhos Verdes!


Movimentando mais de 25 milhões de faturação por ano, o alvarinho é considerada a casta branca nobre do Noroeste de Portugal com elevado sucesso na exportação de vinhos monovarietais. Mais nenhuma casta portuguesa tem uma projeção internacional deste relevo. É bandeira da região dos “Vinhos verdes”, a segunda região que mais vende em Portugal e que está bem presente nos concursos internacionais de vinhos brancos. 

Para além de gerar vinhos com as características típicas da região dos Vinhos Verdes, o Alvarinho concebe vinhos mais complexos e com grande potencial aromático sendo a base das grandes reservas e dos vinhos topo de gama. É talvez a casta branca que mais se desenvolve com o tempo.Simplesmente estamos a falar da casta mais cara em Portugal atingindo em média o valor de 1,10€ por quilo de uva enquanto que a média nacional situa-se nos 0,45€ por quilo.

Vejamos então o perfil desta casta e dos seus vinhos.

  • Localização: Sub-região de Monção e Melgaço.
  • Cor: Intensa, palha com reflexos citrinos.
  • Aroma: intenso, complexo com caracter frutado (marmelo, pêssego, banana,           limão, maracujá), floral (flor de laranjeira e violeta), amendoado, melado,                             redondo, macio, encorpado e persistente.
  • Elevado potencial de envelhecimento até pelo menos 10 anos de idade.
  • Produz mostos ricos em açúcar potenciando o grau alcoólico.
  • Ideal para pratos de peixe, mariscos e aves.

Reguengo de Melgaço - eleito o melhor alvarinho de 2015
As suas características nobres já cativaram o mundo oriental, principalmente o Japão, tendo sido considerado o vinho ideal para acompanhar sushi. 

Não hesite em experimentar e acompanhe o seu Alvarinho com frutos do mar ou um peixe assado!

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

A reserva de Palmela do Pingo Doce!


Temos evidenciado nos últimos anos uma exigência crescente do consumidor na compra de vinhos. Aliado à crise financeira do nosso país, verificámos que nunca se discutiu tanto sobre a relação qualidade/preço. Surge no mercado novos consumidores que procuram mais por menos. Atentos a este movimento do mercado, os grandes tubarões da distribuição têm investido e presenteado o consumidor com vinhos de marca própria com excelente qualidade. Hoje venho falar de uma reserva da marca própria Pingo Doce produzido pela famosa Casa Ermelinda Freitas.

Em prova cega, este vinho poderia ter vários rótulos sem nunca se descobrir que estamos perante um vinho de marca própria. Aliás ainda arrisco a dizer que caso tivesse outro rótulo teria uma cotação ainda mais elevada em aplicações de vinhos. A verdade é que este produto ganhou mais prémios internacionais que algumas marcas conceituadas.

Feito a partir da casta castelão, a rainha da região demarcada de Palmela, é um vinho encorpado de cor granada e no nariz muito aromático e complexo com notas de frutos vermelhos e madeira. Na boca com bom volume, redondo com taninos polidos e bastante elegante

A boa notícia, é que é um vinho que custa nas prateleiras 2,49€ e compete a um nível mais elevado.

Deixo a sugestão e aguardo o vosso feedback.