terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Cabernet Sauvignon – a rainha das uvas tintas!


Com origem na região Bordeaux (sudeste de França), a Cabernet Sauvignon tem se imposto como a rainha das uvas tintas. Apesar da sua origem francesa, podemos encontrá-la difundida pelo mundo sobretudo em zonas mais temperadas e quentes. Foi nos anos 70 que se tornou uma casta internacional depois da descoberta a sua versatilidade. Em 1996, foi reconhecida como um cruzamento entre Cabernet Franc e Sauvignon blanc pela Universidade da Califórnia. A par da Merlot, a Cabernet Sauvignon é a variedade mais plantada do mundo! 

Que vinhos produz?

De cor profunda, taninos bem presentes e ligeira acidez, proporciona vinhos com aromas complexos como ameixa, cereja, amora, cassis, especiarias, menta e eucalipto. Em climas mais frios podemos encontrar também pimento. Quando envelhecidos em madeira, os aromas de baunilha e café surgem usualmente. A característica de destaque desta casta é a sua capacidade de envelhecimento devido ao teor elevado de taninos. Quando amadurecida em carvalho, proporciona vinhos complexos, de guarda com grande longevidade! É assim uma casta muito utilizada na criação de vinhos nobres de topo de gama.

Onde encontramos em Portugal?

Apesar do contágio mundial, Portugal integrou esta casta de uma forma mais controlada e sem grandes histerismos. Podemos encontrá-la nas regiões do Alentejo, Setúbal, Bairrada e Tejo, na maioria das vezes em blends com castas autóctones. A touriga nacional e o aragonês são geralmente parceiros nos seus blends.


Apesar dos grandes tintos, a Cabernet Sauvignon também já permitiu a criação de rosés, brancos e espumantes como os israelitas. É vulgarmente mencionada como a casta perfeita para acompanhar carne. Atualmente é a uva tinta mais avaliada na Wine Spectator, e está bem presente nas listas dos melhores vinhos. Indubitável a grandeza desta casta!


segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

O bag-in-box - a alternativa para o dia-a-dia!

O garrafão do século XXI, o bag-in-box invadiu a europa com o objetivo de facilitar quem bebe vinho diariamente. Criado em 1960, tornou-se muito popular devido à excelente relação qualidade preço e à preservação da qualidade de vinho. Constituído por um saco de polietileno, é considerado um dos plásticos mais seguros na indústria alimentar. Podemos encontrar no mercado box’s de vinho tinto, branco e rosé em formatos de 3 e 5 litros a preços muito competitivos.

Quais as vantagens do bag-in-box?
- É uma alternativa muito mais económica que o vinho em garrafa.
- Uma opção mais ecológica dado que é reciclável registando menor impacto ambiental.
- Permite melhor transporte e arrumação dispensando igualmente saca-rolhas.
- Pode ser bebido por um período até 6 semanas dado que que o sistema de vácuo da torneira permite retirar o vinho sem a entrada de ar. Para além disso, a bolsa plástica é feita de forma a proteger da luz. Produtores garantem a qualidade intacta do vinho.
- Podemos encontrar no mercado vários produtos de grandes vinícolas garantindo a qualidade.

Quais as desvantagens?
- Não é opção para vinhos de guarda ou para envelhecimento. Sempre que é utilizada a torneira, há uma micro-oxigenação daí haver sempre uma data de validade.
- Geralmente só encontramos vinhos de entrada de gama.
- No caso dos vinhos brancos, não é prático colocar a embalagem no frigorífico.
- Não é a opção mais elegante para um jantar especial.
- Não é uma boa alternativa para quem pretende um vinho especial.


Em vários países, o bag-in-box tornou-se uma opção perfeita para muitos consumidores apesar de haver ainda um grande preconceito. Quem pretende beber um vinho especial de vez em quando, esta não é a melhor opção. No entanto, para muitos europeus que bebem vinho diariamente é uma forma mais económica e prática. Precisamos também recordar que esta alternativa veio ajudar muitos produtores a escoar os vinhos de entrada de gama. 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Jerez - a pérola da Andaluzia!


Jerez, Xerez ou Sherry é um dos vinhos fortificados  mais complexos que tem se destacado internacionalmente. Com mais de 3000 anos de existência, é produzido na região de Jerez na Andaluzia (Sul de Espanha). Carrega uma cultura milenar complexa de envelhecimento de vinho em soleira. Historiadores encontraram evidências que Colombo bebeu Jerez na sua viagem para a América e que era a bebida preferida de Shakespeare. A verdade é que este vinho fortificado esteve presente na mesa das realezas nos séculos XVII e XVIII.


"Flor"
Mas afinal o que é o Jerez?

Produzido maioritariamente pela casta “Palomino” que após o esmagamento é fermentado em barris e posteriormente sofre adição aguardente vínica. Quando finalizado, começa o processo de solera, o vinho é armazenado em barris com ¾ da capacidade ocupada. O mesmo ganha uma camada denominada “flor” que consiste num fungo responsável pelo sabor típico do Jerez. O sistema de solera permite a mistura de vinhos velhos e novos de forma a manter a “flor”. 

Sistema "solera"
Como outros vinhos fortificados o Jerez pode ser encontrado em várias categorias e versões: fino, montillado, oloroso, palo cortado, amontillado, manzanilla, barrameda, cream e Pedro Ximenez. Alguns são secos outros muito doces e as suas categorias variam conforme a influência ou não da “flor”. 


Apesar da sua longa história, hoje o Jerez é um vinho moderno cada vez mais presente em restaurantes de luxo para acompanhamento de aperitivos e sobremesas. Com uma percentagem alcoólica entre 15% e 18% deve ser consumido com moderação. Para além disso, é  possível a degustação da sua aguardente vínica. O mundo dos vinhos fortificados é enorme e o Jerez daria para horas de leitura. Curioso? Se já o experimentou, partilhe connosco! 


quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Por que razão as garrafas têm 750ml ?

A grande maioria das garrafas de vinho que adquirimos têm o tamanho habitual de 750ml. É tão comum e está tão enraizado na nossa cultura que nem nos questionamos o porquê. Não teria mais lógica, venderem garrafas de 1 litro? Apesar das dezenas de tamanhos existentes, o mundo dos vinhos abraçou totalmente esta medida.

Mas qual a razão?

A origem é controversa dado que existem várias opções em cima da mesa. No entanto, a mais consensual explica que a origem está na Inglaterra. No século XIX, o vinho era importado da região de Bordeaux (França) e o sistema métrico dos dois países era distinto. Os vinhos eram importados em barris de “50 galões imperais” correspondente a 225 litros. Posteriormente, o vinho era distribuído por garrafas e aí surge a necessidade de um número redondo. Os ingleses logo chegaram à equação de 225 litros = 300 garrafas de 750ml. Tornou-se assim vulgar esta medida.

Há quem admita que o tamanho padrão deveu-se à facilidade na produção de garrafas. No século XIX, a produção das mesmas era feita a partir de vidro soprado e geralmente 1 sopro era suficiente para atingir o tamanho de 750ml. No entanto, à parte de lendas e histórias há quem seja cético e defenda que a medida corresponde unicamente a 3 medidas/doses de 250ml, ou seja, o consumo ideal de vinho.

À parte de polémicas, o tamanho standard veio para ficar e não nos livramos dele! As “meias garrafas” vendidas no mercado correspondem a metade de uma garrafa de 750 ml e as Magnun ao seu dobro. 

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Commandaria - o vinho mais antigo do mundo?

Segundo o Guinness World Records, Commandaria é o vinho mais antigo do mundo em produção! Originário da ilha de Chipre, no mar mediterrâneo, está comprovado que o vinho é produzido há mais de 4000 anos. Estamos a falar de um vindo doce, fortificado que atingiu a sua fama na idade média e posteriormente entre os Cavaleiros Templários do século XII. O seu nome tem origem na área onde os cavaleiros construíram o castelo Kolossi, “grande commandaria”. O vinho era tão relevante na região que podemos encontrar esta lenda num poema de 800 a.c. do poeta grego Hesíodo.


Processo de secagem das uvas ao sol
Como é produzido afinal?
 O vinho é produzido a partir de duas castas, uma branca (Xynisteri) e uma tinta (Mavro), geralmente de vinhas muito velhas. Para além do grande amadurecimento na vinha, as uvas são deixadas ao sol até duas semanas para intensificar os seus açúcares. Como a maioria dos vinhos fortificados, a fermentação é interrompida para adição de álcool vínico e é posteriormente envelhecido em barricas durante pelo menos 2 anos. É obtido no final um teor alcoólico em torno de 15º e um vinho bastante intenso. 




O que podemos esperar do vinho?
Commandaria é considerado um vinho doce de sobremesa, com textura densa e cor de âmbar. Encontramos notas de caramelo, baunilha, mel, ervas e frutas secas. Ao contrário do vinho do Porto, à medida que envelhece vai escurecendo. 

O vinho mais antigo do mundo é assim ideal para degustar com um chocolate ou um docinho. Há quem sugira degustá-lo singularmente após uma boa refeição. Sirva-o entre 6º a 9º graus e num copo pequeno para vinhos fortificados como o vinho do Porto. Uma experiência a não perder. 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Farinha de uva? Irá ser tendência?

 Farinha de uva? Sim! Nas várias inovações da ciência, eis que surgem novas investigações sobre os benefícios da farinha de uva. Rica em antioxidantes é feita a partir das sobras de uvas (cascas e sementes) na produção do vinho. Nasce assim uma solução para o reaproveitamento das sobras que beneficia em simultâneo a saúde. Para já produzida em laboratório, prevê-se que no futuro passe a ser um produto comum. 

Como é feita a farinha?

Em média, na produção de vinho a partir de 35 toneladas de uvas, obtemos uma sobra de cascas e sementes equivalente a 15 toneladas. É justamente nas cascas que encontramos grande parte dos nutrientes. As sobras são assim secadas e assadas em forno brando e posteriormente trituradas finamente. Trata-se portanto de um processo relativamente simples.

Quais os benefícios do uso da farinha de vinho?

  • 1.    Pode ajudar a emagrecer graças ao valor concentrado de antioxidantes. Auxilia assim a perda de gordura abdominal além de ajudar na luta contra o colesterol.
  • 2.    Não contém a famosa proteína: Glúten!
  • 3.    Previne doenças cardiovasculares graças à ação contra o colesterol e ao controlo da pressão arterial.
  • 4.    Contém menos 60% das calorias da farinha de trigo.
  • 5.    Possui resveratrol, importante para a prevenção de diversos cancros.
  • 6.    Ativa a circulação sanguínea prevenindo o surgimento de varizes.

Os efeitos benéficos da farinha variam por casta e encontram-se ainda a ser estudados. A farinha de vinho já foi aprovada na elaboração de massas e bolo! A grande vantagem deste produto, é sem dúvida o reaproveitamento de resíduos e a possibilidade de aumento de rendimento para os produtores de vinho. Teremos que esperar pelo futuro para vermos se é apenas uma ideia ou se será tendência. 



quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Geórgia: o berço do vinho!

A Geórgia é reconhecida como a região vinícola mais antiga do mundo! Com mais de 8 000 anos de história, orgulha-se de ser o país com mais castas nativas (500 variedades) e numerosas descobertas arqueológicas relacionadas com a vinicultura. 
A produção do vinho está intrínseca à cultura do país e o método tradicional de produção de vinho em jarros de Argila (Kvevri) é património cultural imaterial da humanidade pela UNESCO. Ainda hoje, as famílias pela Geórgia plantam as suas próprias uvas e produzem vinho pelo método tradicional, isto porque estão enraizadas na cultura as celebrações e a hospitalidade. É habitual, durante as refeições os Georgianos brindarem por várias vezes!
Localização da Geórgia
Para além da diversidade de castas, a Geórgia possuiu um clima ideal para o vinho. Os verões nunca são excessivamente quentes e os invernos não têm geadas. Todas as boas condições permitem uma produção de 150 milhões de litros por ano!
Um dos vinhos mais famosos na Geórgia são os vinhos meio-doces. Tradicionalmente produzidos nas montanhas, devido à colheita tardia e ao inverno antecipado, a fermentação não completa permitiu a criação de vinhos doces. Podemos encontrar estes vinhos quer tintos quer brancos, e hoje já são produzidos com excelente qualidade e com controlo de temperatura na fermentação.
Evidências arqueológicas da
produção de vinho de 4000 A.C.
Apesar da Arménia lutar pelo estatuto de país de origem do vinho, não conseguiram enfrentar as evidencias da região Kakheti (região vinícola mais importante na Geórgia). A influência deste pequeno país nos nossos dias é tanta que foi da palavra “gvino” (vinho em georgiano) que surgiu o nome da bebida. Hoje, o país investe no enoturismo e podemos encontrar facilmente várias rotas pelas marcas arqueológicas da vinicultura. Um país fascinante para conhecer!